Quem é ‘O Povo’? Sobre o Sujeito Impossível da Democracia

James Ingram

Resumo


Neste artigo, sugiro que podemos usufruir de um novo ponto de vista nos dilemas contemporâneos da teoria democrática ao considerarmos a democracia como um processo e uma reivindicação ao invés de uma forma de regime, seja ele real ou ideal. Para tanto, foco na idéia do ‘povo’, o fundamento ostensivo da democracia. Distingo quatro respostas diferentes à notória dificuldade, ou mesmo impossibilidade, de se localizar concretamente ‘o povo’. As três primeiras são relativamente familiares, e correspondem a interpretações da democracia que vou chamar de liberal, associativa e participatória-radical. Todas têm desvantagens significativas, assim, passo à quarta interpretação. Nessa perspectiva, a qual elaborei principalmente com base na obra de Pierre Rosanvallon e Jacques Rancière, o valor prático da idéia do povo é negativo: o valor político do ‘povo’ não está em apontar para um povo positivo, real ou ideal, mas sim nas formas pelas quais qualquer visão oficial do ‘povo’ falha em corresponder à sua contraparte empírica, determinada e real em qualquer momento.

Palavras-chave


Democracia, soberania popular, representação, o político, Rosanvallon, Rancière, Habermas

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DOI: 10.17808/des.39.179

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ISSN: 1516-6104