Constituição Júlia: uma carta-mulher de trinta

Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis, Eduardo Henrique Lopes Figueiredo

Resumo


Considerando a fecundidade simbólica entre a escrita literária como percepção da política enquanto hipótese, o presente texto buscar tecer relações entre o desenrolar destes pouco mais de trinta anos da constituição brasileira e a vida de Julia, protagonista da obra “A mulher de trinta anos”. Por meio de abordagem qualitativa de pesquisa documental, traçamos a discussão dividindo-a em décadas associadas aos três primeiros capítulos da obra em comento, de forma a estabelecer o momento da proposta de consolidação da constituição, passando por uma tentativa de efetivações mais contundentes de direitos e finalizando com uma conjuntura de autoconhecimento jurídico-normativo. Como resultados, deixamos provocações para consolidação de um tempo de reconhecimento das capacidades irresistíveis da Carta Balzaquiana, sem perder de vista o fato de que, para que a Constituição exista, é necessário a incrementação da dimensão relacional dos direitos.


Palavras-chave


constitucionalismo, história do direito, literatura, políticas públicas

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DOI: 10.17808/des.0.1586

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