Kafka e a nostalgia da plenitude: a busca da “Lei”, o sofrimento inevitável e uma ação possível

Thiago de Mello Azevedo Guilherme

Resumo


O presente artigo pretende analisar o conceito de “lei” na obra de Franz Kafka, suas múltiplas interpretações, bem como a dificuldade dos personagens kafkianos em compreender a função e significado da “lei”. Diante das inúmeras dificuldades dessa investigação, analisaremos os processos de angústia, culpa e agonia que surgem dessa tarefa contínua, bem como de que maneira tais afetos são também, em grande medida, formas de expressão da “lei”. Analisaremos ferramentas de enfrentamento dessa dificuldade em identificar tanto a regra quanto a ação correta, bem como buscaremos compreender os impasses desse contínuo método de produção do significado, no jogo da significação e da construção simbólica do mundo. Por fim, diante da contínua e inesgotável necessidade de identificação da “lei” e de interpretação de seus significados, analisaremos a possibilidade de uma interpretação literária presente na filosofia de Albert Camus para interpretar a angústia do homem kafkiano, na luta por reencontrar ou reconstruir o espaço da plenitude “metafísica” perdida. Ao final, concluímos que, diante da agonia inevitável da incessante necessidade de identificação e interpretação da “lei”, é viável, no plano filosófico, a interpretação de Albert Camus sobre o esforço absurdo, para dar sentido à tarefa de viver de acordo com regras.


Palavras-chave


Kafka; Lei; Filosofia; Camus; Interpretação; Fenomenologia; Subjetividade.

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DOI: 10.17808/des.0.1583

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