A Teoria de Justiça global como alternativa à Teoria de Justiça rawlsiana em contextos de dominação múltipla

Fabrício José Rodrigues de Lemos

Resumo


No contexto multifacetado atual, há atores que se beneficiam do design estrutural mundial ao mesmo passo em que a diversos outros são impostas barreiras que dificultam o acesso às riquezas – as quais, defende-se, em havendo uma arquitetura distribucional global voltada à equidade, poderiam ser melhor alocadas, de maneira a beneficiar um maior número de indivíduos. Nesse passo, o presente artigo, utilizando-se, principalmente, de método de pesquisa bibliográfico, possui o objetivo de demonstrar que a visão rawlsiana, ainda que cabível em sociedades herméticas, é inadequada para um mundo submerso em desigualdades econômicas altamente maculadas pela forma de acumulação histórica, predatória e usurpadora, imposta pelos países mais desenvolvidos economicamente em relação aos pobres globais. Assim, busca demonstrar, por uma análise de conjunto e com referência na teoria de justiça global consoante avançada por Thomas Pogge, a maneira pela qual a estruturação global ainda hoje prejudica, seletivamente – i.e., principalmente por meio dos privilégios internacionais sobre recursos e sobre empréstimos -, países, mantendo-os – ou, mais frequentemente, suas populações - em condição de pobreza.

Palavras-chave


Teorias de justiça. Justiça global. Geopolítica da pobreza. Desigualdade.

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DOI: 10.17808/des.0.1152

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